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Música portuguesa: conquistar novos públicos para sustentar o crescimento

outubro 19, 2026

O mercado da música gravada continua a crescer em Portugal, mas o que significa essa evolução para a música produzida no País? Esta é uma das questões centrais do artigo de opinião «O próximo ciclo da música gravada em Portugal», publicado na Revista Visão a 9 de outubro e assinado por Miguel Carretas, Diretor da AUDIOGEST, e Susana Delgado, Coordenadora de Comunicação. 

As receitas globais do setor atingiram 45,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 14% face ao período homólogo. A evolução das diferentes fontes de receita revela, contudo, dinâmicas distintas. No streaming, as subscrições pagas representam 28% dos utilizadores, mas geram 72% das receitas, evidenciando a diferença entre a dimensão do público e o valor económico do consumo. Ao mesmo tempo, a recuperação das vendas físicas confirma que o vinil e o CD continuam a contribuir para o financiamento da edição musical. Estes resultados ajudam a compreender de onde vem o crescimento e quais poderão ser as condições para o prolongar. 

A leitura dos números exige também uma distinção fundamental: o relatório da AUDIOGEST mede as receitas geradas em Portugal, independentemente da origem do repertório consumido. O crescimento global do mercado não permite, por isso, concluir que a música produzida no País esteja a beneficiar de uma evolução equivalente. Esta diferença reforça a necessidade de pensar o futuro da produção nacional para além dos limites do mercado interno. 

Gravar, editar e promover música exige investimento antes de qualquer receita ser gerada. A continuidade dos projetos depende da capacidade de encontrar público e obter retorno para esse investimento. Num país com um mercado de pequena dimensão, conquistar audiências no exterior permite ampliar as possibilidades de receita, prolongar a vida económica das gravações e criar condições para novos lançamentos e para o desenvolvimento de artistas. 

Essa conquista exige, porém, mais do que a presença nas plataformas digitais. Uma gravação pode estar disponível em numerosos territórios e continuar por descobrir pela maioria dos potenciais ouvintes. Transformar disponibilidade em escuta implica conhecer os mercados, identificar os públicos adequados a cada projeto, investir em promoção e construir relações com parceiros locais. É um trabalho continuado, que precisa de meios e de tempo para produzir resultados. 

O artigo defende, assim, uma responsabilidade partilhada entre os agentes do setor e as políticas públicas: preparar projetos capazes de chegar a outros mercados e criar condições que reduzam o risco e permitam dar continuidade a esse percurso. Para a AUDIOGEST, a internacionalização deve assumir-se como uma prioridade estratégica, contribuindo para que a música produzida em Portugal encontre mais públicos, reconhecimento e receitas. O próximo ciclo de crescimento dependerá também da capacidade de transformar essas oportunidades em condições duradouras para criar e investir. 

Leia o artigo completo na Visão. 


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